Você passa o mês esperando uma ação cair 20 centavos. Abre a planilha, confere a cotação e decide esperar mais. Ainda não chegou ao preço-teto.

Mas por que você quer ser sócio daquela empresa?

Se a resposta depende de repetir o que um influenciador falou, os 20 centavos são o menor dos seus problemas.

Eu respeito os grandes investidores. O que questiono é copiar uma frase de uma entrevista sem entender o trabalho que veio antes dela. Quem passa o dia estudando empresas e compra quantidades enormes de ações vive outra realidade. Alguns centavos têm outro peso naquela operação.

Eu quero uma forma de investir que caiba na vida de quem trabalha, cuida dos filhos, precisa treinar e também quer descansar.

Sou contador. Mesmo assim, não quero transformar cada aporte numa tese nem fazer da análise de empresas uma segunda profissão.

Minha decisão começa pela qualidade do negócio. Eu escolheria aquela empresa para permanecer sócio por dez, vinte ou trinta anos? Gosto do setor? Ela demonstra capacidade de atravessar períodos difíceis?

Essas são algumas das perguntas que faço antes de comprar ações. Um número na planilha não responde por mim.

Depois de escolher as empresas, procuro oportunidades dentro desse conjunto. Comparo quais estão mais atraentes para receber o dinheiro novo.

Não saio pela bolsa procurando qualquer coisa que pareça barata. A empresa precisa ter passado pelos meus critérios antes.

E, quando não encontro uma oportunidade entre os negócios que acompanho, posso formar uma reserva para usar quando ela aparecer.

Minha crítica ao preço-teto é à obsessão pelo número exato. Ela pode ocupar todo o espaço que deveria ser dedicado à escolha das empresas e à continuidade dos aportes.

Novas compras entram em momentos diferentes e mudam o preço médio da posição. Não preciso resolver uma construção de décadas numa única entrada.

Estudar precisa me ajudar a decidir. Se cada estudo termina na necessidade de abrir mais uma análise para autorizar o próximo aporte, quero entender o que estou adiando.

Prefiro gastar minha energia escolhendo negócios que consigo acompanhar e uma estratégia que consigo manter. O investimento precisa caber na minha vida.

Na Mentoria CCZ, trabalho essa autonomia para você construir critérios próprios.

As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.

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