A maioria das pessoas compra ações ao contrário. Primeiro se encanta com um ticker. Depois procura argumentos para justificar a compra.
Uma manchete animadora, um dividendo alto ou uma lista de “ações baratas” parece suficiente. Para mim, não é. Antes de colocar dinheiro em uma empresa, faço quatro perguntas. Elas formam o Método GLAP.
A empresa é uma grande líder?
Prefiro negócios grandes, estabelecidos e relevantes em seus mercados. Trabalhei demais para construir meu patrimônio e não quero depender de uma empresa que ainda precisa provar que consegue sobreviver.
Liquidez ajuda a enxergar o tamanho, mas não prova liderança sozinha. Também observo participação de mercado, relevância do produto e força diante dos concorrentes.
Ela lucra com consistência?
Uma empresa pode atravessar um período ruim. O que não me interessa é um histórico que alterna lucro e prejuízo como quem joga uma moeda.
Em empresas não financeiras, margem EBIT e ROIC me ajudam nessa leitura. Dentro do meu método, gosto de ver ambos acima de 12%. Não trato um trimestre bonito como substituto para uma trajetória consistente.
A dívida está sob controle?
Quase toda grande empresa usa dívida. A pergunta é se ela continuaria administrável durante uma crise.
Eu acompanho a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido. Até 0,5, considero a alavancagem baixa. Entre 0,5 e 1,5, exige acompanhamento. Acima de 1,5, acendo o sinal vermelho.
O preço faz sentido?
Uma boa empresa pode virar um investimento ruim quando comprada a qualquer preço. Como ponto de partida, costumo procurar P/L de até 10 e P/VP de até 1,5.
Esses números não autorizam uma compra sozinhos. O ativo ainda precisa caber na estratégia, no objetivo e na carteira. É por isso que mantenho poucos ativos que consigo acompanhar e uso uma regra clara para decidir o destino de cada novo aporte.
O GLAP não promete certeza. Ele cria disciplina.
Antes de comprar, responda sem citar a pessoa que indicou a ação: é uma líder, lucra com consistência, controla a dívida e está a um preço que faz sentido?
Se uma resposta estiver fraca, não procure uma desculpa. Pare a análise.
Na Mentoria CCZ, trabalho essa autonomia para você decidir com os próprios critérios.
As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.
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