Eu poderia comprar o apartamento em que moro à vista. Mesmo assim, continuo pagando aluguel.
Para muita gente, isso parece absurdo. Casa própria virou sinônimo de vitória, e aluguel ganhou fama de dinheiro jogado fora. Só que comprar alguma coisa porque posso não torna a compra inteligente.
Na época em que fiz essa conta, o imóvel valia perto de R$ 400 mil. Meu pagamento mensal era de R$ 2.897, incluindo aproximadamente R$ 600 de condomínio e R$ 200 de IPTU. O aluguel, isolado, ficava próximo de R$ 2.097.
Essa separação importa. Quem compra também paga condomínio e IPTU. Comparar a prestação de um financiamento com um pacote de aluguel que já inclui outras despesas é uma forma fácil de chegar à conclusão que você queria antes de começar.
A escritura também cobra um preço
Comprar à vista não faria meu patrimônio desaparecer. Eu trocaria dinheiro investido por um imóvel. Mas perderia liquidez, concentraria capital e abriria mão do retorno que aquele dinheiro poderia produzir.
No financiamento, a conta também não terminava na parcela. Uma simulação para o mesmo imóvel exigia R$ 80 mil de entrada e começava perto de R$ 3.900 por mês. Com condomínio e IPTU, o desembolso inicial chegava a aproximadamente R$ 4.700 — cerca de R$ 1.803 acima do que eu pagava.
Comprar poderia fazer sentido por estabilidade. Alugar me dava flexibilidade, preservava capital e permitia morar perto da praia e dos serviços que minha família usa. Qualidade de vida também entra na conta.
Mas existe uma condição: alugar só ajuda a construir patrimônio se a diferença tiver destino. Se eu gasto tudo, não posso culpar o aluguel pelo dinheiro que escolhi não investir. É a mesma lógica de organizar o orçamento sem transformar a vida em sacrifício.
Eu não quero uma escritura para provar que venci. Quero morar bem, manter liberdade de movimento e fazer meu patrimônio trabalhar de acordo com as minhas prioridades.
No meu cenário, pagar aluguel não era atraso. Era escolha.
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As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.
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