A eleição se aproxima e a ordem parece ser sempre a mesma: tenha medo. Medo de quem pode ganhar, medo do que vai acontecer com o país, medo de ver sua carteira desabar.
Daqui a pouco, aparece alguém dizendo que vai vender tudo, tirar o dinheiro do Brasil e mudar de país. Outro garante que encontrou a grande oportunidade antes do resultado. E você, que só queria investir para construir patrimônio, começa a sentir que precisa fazer alguma coisa imediatamente.
Eu sigo uma regra para esse período: não vendo os ativos da minha carteira e não acrescento empresas novas. Continuo olhando para as empresas que já conheço e direciono meus aportes dentro desse conjunto.
Essa é a minha forma de atravessar as eleições de 2026. Não preciso transformar minha preferência política numa ordem de compra ou venda.
Eu não tento adivinhar a bolsa depois da eleição
Quem vai ganhar? O que muda na economia? Como os grandes investidores vão reagir? São perguntas que movimentam expectativas e dinheiro.
Fundos, empresas e investidores têm interesses diferentes. O cenário que um considera favorável pode ser o cenário que outro prefere evitar. Durante a disputa eleitoral, essas expectativas se encontram na bolsa e as cotações podem oscilar bastante.
O fato de as eleições se repetirem não torna o resultado do mercado previsível. Eu não sei dizer exatamente qual será o próximo movimento da bolsa. E não construo minha estratégia como se soubesse.
Minha atenção está em outra parte: como vou me comportar quando essas oscilações vierem?
O medo pode assumir o controle antes de você perceber
Para mim, investir é muito mais comportamento do que números. Você pode conhecer os indicadores da empresa e, ainda assim, abandonar todo o raciocínio depois de uma sequência de notícias alarmistas.
Jornais, comentaristas e influenciadores disputam atenção. No período eleitoral, a tensão cresce e a mensagem de que o país está prestes a quebrar encontra um público cada vez mais apreensivo.
É o que eu chamo de terror cibernético: um fluxo de conteúdo que mantém você em estado de urgência.
A pessoa entra para se informar e sai convencida de que precisa vender, comprar, trocar tudo ou fugir. A decisão ganha uma justificativa política, mas quem está apertando o botão é o medo.
Esse incentivo para manter o investidor assustado também aparece nas armadilhas do mercado financeiro que eu costumo questionar. Quanto mais urgente tudo parece, mais difícil fica enxergar se existe uma razão própria para agir.
Eu prefiro definir minha conduta antes de entrar nesse ambiente. Não quero decidir o destino do patrimônio no auge da tensão.
Minha regra: mantenho as empresas e concentro a atenção nelas
Quando o noticiário eleitoral começa a dominar as conversas, mantenho o conjunto de ativos que já está na minha carteira. Não vendo para tentar escapar do resultado e não adiciono um investimento novo só porque apareceu uma oportunidade irresistível.
Isso não significa parar de aportar. Significa que os aportes continuam dentro das empresas que eu já escolhi.
Essa distinção é essencial. Uma coisa é aumentar minha participação num negócio que acompanho. Outra é colocar uma empresa desconhecida na carteira porque alguém disse que ela vai se beneficiar da eleição.
Eu sigo o primeiro caminho. Meu dinheiro vai para empresas sobre as quais já construí conhecimento e convicção.
Elas passaram pelos meus filtros antes da manchete. Eu acompanho os relatórios, a gestão e a trajetória do negócio. Não dependo do comentário político do dia para saber por que sou sócio.
A oportunidade que procuro está dentro da minha carteira
Uma queda de 10%, 15% ou 20% chama atenção. Mas o que me interessa é ver esse movimento numa empresa que eu já conheço, acompanho e quero manter por muitos anos.
É nessas posições que procuro oportunidades para direcionar novos aportes durante o período eleitoral.
Meu ponto de partida não é descobrir a ação que vai disparar se determinado candidato vencer. É olhar para os negócios que escolhi e avaliar como aumentar minha participação neles.
Tenho convicção suficiente nas minhas escolhas para considerar novos aportes mesmo diante de uma queda de 50%. Essa convicção vem do trabalho anterior à compra e do acompanhamento das empresas.
Por isso, gosto de fazer o teste: você aguentaria uma queda de 50% depois de comprar uma ação? A resposta exige mais do que dizer que pensa no longo prazo. Exige saber o que comprou.
Se a carteira nasceu de dicas soltas, a eleição apenas deixa mais evidente um problema que já existia: falta um raciocínio próprio sustentando aquelas posições.
O que eu chamo de empresas “antiapocalipse zumbi”
Uso esse nome para falar das empresas que demonstraram capacidade de atravessar adversidades. Negócios que passaram por crises econômicas, crises políticas, guerras, pandemia e outros períodos difíceis.
Eu procuro essa resiliência nos meus filtros. Quero entender como a empresa se comportou quando o ambiente deixou de ajudar.
São esses negócios que escolho para a carteira e acompanho ao longo do tempo. Minha confiança está na capacidade que enxergo neles de continuar operando, gerando lucro e distribuindo dividendos, inclusive quando o resultado político não é aquele que eu gostaria.
É uma convicção sobre as empresas que selecionei. Não preciso acertar o vencedor da eleição para explicar por que quero continuar sócio delas.
Seu patrimônio não precisa fazer campanha
Eu tenho minhas preferências políticas. Mas meu compromisso como investidor é com o patrimônio que construí e com a vida que quero proporcionar à minha família.
Em 2013, estava quebrado depois de uma pizzaria que não deu certo, com mais de R$ 200 mil em dívidas, duas filhas pequenas e minha esposa desempregada. Consegui um emprego CLT, comecei a estudar e investir. Levei dez anos trabalhando e investindo para conquistar minha liberdade financeira.
Esse dinheiro representa uma construção. Eu não quero entregar o comando dela à ansiedade de uma disputa eleitoral.
Por isso, sigo minha regra: mantenho os ativos, evito acrescentar novidades durante esse período e procuro oportunidades de aporte nas empresas que já conheço.
Antes de reagir à próxima manchete, vale responder: mudou alguma coisa no negócio que você acompanha ou mudou o seu estado emocional?
Conte nos comentários: você já tem uma regra para atravessar as eleições ou decide o que fazer conforme as notícias aparecem?
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As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.
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