A cada eleição, aparece alguém dizendo que vai vender tudo se determinado candidato ganhar. Eu tenho minhas preferências. Mas não quero decidir o destino do meu patrimônio no auge dessa conversa.
Por isso, estabeleço uma regra antes de o noticiário eleitoral tomar conta: mantenho os ativos que já tenho e não acrescento empresas novas à carteira.
Continuo aportando. Só não saio procurando um negócio que nunca acompanhei porque alguém disse que ele vai ganhar com a eleição.
Essa diferença importa.
As empresas da minha carteira passaram pelos meus filtros antes da campanha. Eu acompanho seus relatórios, sua gestão e o que elas fazem com o dinheiro. Já tenho razões para ser sócio delas.
Quando as cotações caem durante a tensão eleitoral, é ali que procuro oportunidades: nos negócios que conheço.
Isso exige um trabalho anterior. Se comprei uma ação porque alguém indicou, provavelmente vou precisar de outra pessoa para me dizer o que fazer quando ela cair. Troquei dinheiro por uma decisão que não sei explicar.
Eu procuro empresas que já atravessaram governos, crises e períodos difíceis. Brinco que são empresas “antiapocalipse zumbi”. O nome é exagerado. O critério é concreto: quero saber como o negócio se comportou quando o ambiente deixou de ajudar.
É essa trajetória que sustenta minha confiança. Não a expectativa de que meu candidato vença.
Antes de comprar, gosto de me perguntar se continuaria confortável com uma queda de 50%. Se a resposta depende de todo mundo estar otimista, minha convicção ainda precisa de trabalho.
Não sei prever o próximo movimento da bolsa. Sei a regra que escolhi seguir.
E sei como é fácil abrir uma notícia para se informar e sair dela achando que precisa mudar tudo.
Por isso, antes de reagir a uma manchete, separo duas perguntas: o que mudou na empresa? E o que mudou no meu medo?
Posso não gostar do resultado da eleição e continuar querendo ser sócio dos mesmos negócios.
Meu voto expressa uma preferência. Meus aportes precisam continuar fazendo sentido depois da apuração.
Na Mentoria CCZ, trabalho essa autonomia para você construir critérios próprios e conseguir explicar suas decisões.
As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.
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