Com a Selic alta, é fácil abrir o aplicativo, olhar o rendimento e achar que está fazendo tudo certo.
Pode até estar. Mas o saldo não responde à pergunta que me interessa: para que serve esse dinheiro?
“Está rendendo bem” me conta o que aconteceu com a aplicação. Ainda não me conta o que você pretende fazer com ela.
Eu penso na renda fixa a partir de objetivos concretos. Uma viagem marcada para dezembro de 2030, por exemplo. Existe uma data. O dinheiro precisa estar disponível quando ela chegar.
Ou juntar R$ 50 mil para a entrada de um imóvel. Talvez a data ainda não exista, mas o valor dá direção ao esforço.
Nos dois casos, consigo explicar a escolha sem abrir o aplicativo.
O problema começa quando o plano inteiro depende de continuar encontrando o investimento que está pagando mais.
A pessoa fica na renda fixa enquanto os juros estão altos. Pretende comprar ações quando os juros caírem. Depois venderá as ações valorizadas para aproveitar outra oportunidade.
Contado assim, parece simples. Só falta combinar os preços e o momento de cada troca com o mercado.
Eu comparo esse comportamento ao de um gato que vive procurando um restaurante melhor. Ouve falar de comida em outra rua e corre para lá. Logo aparece uma promessa em outro bairro. Ele passa o dia procurando o próximo prato.
É possível ficar muito ocupado com investimentos sem conseguir explicar o que está construindo.
Prefiro ter critérios antes de precisar agir. É por isso que uso uma regra de rebalanceamento. Ela também me ajuda a reconhecer quando posso ficar quieto.
Não tenho nada contra ganhar dinheiro com juros altos. Questiono a conclusão de que um bom rendimento dispensa um plano.
Faça um teste: explique sua carteira sem mencionar a rentabilidade.
Qual é a função de cada investimento? Quando você vai precisar desse dinheiro? O que justificaria mudar?
Se faltar resposta, fique um pouco nessas perguntas. Trocar de aplicação pode esperar.
Na Mentoria CCZ, trabalho essa autonomia para você decidir com os próprios critérios.
As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.
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