Eu morava bem, pagava uma boa escola para minhas filhas e já não precisava trabalhar como antes.
Tinha conquistado a liberdade financeira. Por isso, quando comecei a adoecer, uma ideia me atrapalhava: eu não tinha motivos para estar mal.
Minha família estava saudável. As finanças nunca estiveram tão bem. O que mais eu queria?
Enquanto eu tentava responder, meu corpo piorava.
Cheguei a pesar 47 kg. Sentia pressão na cabeça, zumbido e dificuldade para pensar. Fiz exames, procurei médicos e passei meses tentando entender o que estava acontecendo.
Quando um profissional levantou a possibilidade de um componente psicológico, resisti. Os sintomas eram físicos. Eu sentia aquilo. Demorei para aceitar que uma coisa não excluía a outra.
Minha esposa marcou uma conversa com uma psicóloga e praticamente colocou o link na minha frente.
Foi ali que comecei a admitir que precisava de ajuda.
Não saí daquela conversa recuperado. Foram pouco mais de dois anos de terapia, com dias bons, novas crises e avanços que às vezes pareciam pequenos demais.
Aprendi a reconhecer a ansiedade, questionar pensamentos que eu tratava como fatos e dizer não. Algumas relações também precisaram de limites.
Passei a cuidar de coisas que tinham ficado de lado. Encontrei na musculação uma rotina que fazia sentido para mim. Voltei a conviver com outras pessoas, além da família. Retomei a igreja, a oração e o estudo da minha fé.
A vida foi ficando maior do que o trabalho e os sintomas.
O dinheiro teve seu valor. Eu não precisava acrescentar uma conta atrasada àquilo tudo. Mas não conseguia usar o conforto que havia conquistado como argumento para deixar de sofrer.
Era justamente o que eu tentava fazer: olhar para tudo que tinha e concluir que deveria estar bem.
Hoje vejo quanto tempo perdi discutindo se tinha motivos suficientes para pedir ajuda.
Eu estava mal. Isso já bastava.
Continuo valorizando a liberdade financeira. Só não espero mais que ela cuide, sozinha, do resto da minha vida.
Na Mentoria CCZ, trabalho a construção de autonomia financeira. Para mim, ela precisa servir à vida que queremos viver.
As ideias aqui representam a visão pessoal do autor. Não são recomendações de investimento ou de saúde e não substituem orientação profissional individualizada.
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